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  • Foto do escritorJéssica Reis

Epifania do Senhor

No dia 6 de janeiro comemora-se o dia dos Reis Magos. Para compreender melhor sobre essa data, foram utilizadas publicações feitas pelo Vatican News e Canção Nova, sendo que estas podem ser lidas na íntegra ao final desse texto. Boa leitura!


No dia 6 de janeiro, a Igreja celebra o dia de Santos Reis, também conhecida como celebração da Epifania do Senhor. Nessa festa, celebramos a visita dos Magos [...] para prestar homenagens e adorar o Menino Jesus recém-nascido. Ofereceram presentes cheios de significados ao menino Deus: ouro, incenso e mirra. Este fato é narrado pelo evangelista Mateus, no Capítulo 2, versículos 1-12. Trata-se de uma história impressionante, com vários símbolos importantes para a nossa vida.



Eram Reis?


São Mateus chama-os apenas de “Magos”. Porém, essa palavra tinha vários significados. Designava a origem geográfica de pessoas da Pérsia. Por isso deduzimos que os magos eram daquele país. Designava também pessoas da realeza. Por isso acredita-se que eles eram Reis. Por fim, “mago” significava também o que chamaríamos hoje de “cientistas”, pois eles conheciam profundamente a matemática, a medicina, a astronomia, a química e outras ciências já conhecidas na época. Tudo isso concorda com a tradição científica dos persas.


Seguindo uma estrela


O aparecimento de uma nova estrela no céu mudou a vida daqueles homens. O conhecimento científico permitiu que eles descobrissem o novo astro. Daí se deduz que eles eram conhecedores dos mapas celestes e bons viajantes. Naquele tempo, os viajantes do deserto viajavam à noite e guiavam-se pela posição das estrelas. Por isso, eles detectaram o aparecimento da nova estrela. Porém, não apenas detectaram. Eles conheciam as profecias messiânicas e compreenderam que tal estrela anunciava o nascimento do Rei dos reis, o Soberano das nações, o Salvador. Por isso se uniram para preparar e empreender uma viagem em busca do Rei Salvador.



Surpresa em Israel


Seguindo a estrela, aqueles sábios viajantes chegaram a Israel. Como procuravam por um rei [...], dirigiram-se à capital Jerusalém, pensando que o menino Deus seria descendente do então rei de Israel. A chegada desses homens na capital foi motivo de alarde e espanto, segundo o relato de São Mateus, pois o povo não sabia do nascimento do Messias, embora desejasse ardentemente este acontecimento. Mateus diz que Jerusalém entrou em polvorosa com a chegada dos magos. Tal foi a importância da visita dos magos a Jerusalém, que foram recebidos pelo rei Herodes. Este, provavelmente, recebeu-os como chefes de Estado, com todas as honras. Ao saber, porém, o real motivo da visita, Herodes sente-se ameaçado. O Rei Salvador recém-nascido poderia roubar seu trono, pensou.



O encontro com o Menino Jesus


São Mateus diz que, tão logo os magos saíram de Jerusalém, avistaram novamente a estrela e encheram-se de alegria. Seguiram-na, e ela os levou ao local onde Jesus estava. Chegando, depararam-se com a maior das surpresas: o Rei, soberano das nações, o Filho de Deus, nascera numa família pobre, simples. Não nasceu em berço de ouro, mas numa manjedoura! Sua mãe, uma jovem simples e seu pai, adotivo, um carpinteiro. Mesmo assim, os reis reconheceram naquele menino o Soberano das nações, o Príncipe da Paz, e ofereceram presentes a ele.



Presentes com significados profundos


Os magos, reconhecendo naquele Menino o Rei dos reis, ofereceram-lhe presentes. Por causa do número desses presentes, deduz-se que os magos eram três. Eles ofereceram ouro, incenso e mirra. O ouro significa a realeza daquele menino. O incenso simboliza sua divindade e a mirra simboliza sua humanidade e o sofrimento através do qual ele salvaria a humanidade. Depois de entregar os presentes, os magos adoraram o Menino Deus.



Mais explicações sobre a data a partir de publicação do Vatican News


Em primeiro lugar, o relato de São Mateus não é uma reconstrução histórica do que aconteceu, pelo menos não era esta a sua intenção. O Evangelista e sua comunidade original quiseram mostrar que o Messias não veio para salvar uma pátria, mas todo o mundo. Mateus escreveu para os judeus cristianizados, quis mostrar que Jesus é o descendente de Davi e que sua missão é oferecida aos pagãos.


Não parece verdadeiro que toda Jerusalém tenha ficado alarmada e nem que Herodes tenha convocado todos os sumo sacerdotes e nem que tenha permitido aos magos prosseguirem em seu caminho. Também não deve ser verdadeiro que a estrela tenha seguido um curso contrário às leis naturais. Não se deve buscar uma explicação segundo as leis da astronomia.


Quanto ao número de magos, o texto evangélico não fala em três, mas em “magos do Oriente”.

No século III, Orígenes fala em três, provavelmente por causa dos três presentes: “ouro, incenso e mirra”. Já São João Crisóstomo, no século IV, fala em 12. Em algumas catacumbas encontramos os números 2 e 4. Os nomes dos Reis Magos, - Melchior, Gaspar e Baltasar - aparecem em um manuscrito do século V.

Provavelmente Mateus pensa [que os magos eram] oriundos da Babilônia. Para os judeus, “Oriente” era toda a terra que se estendia além do Jordão. Devido aos presentes oferecidos ao Menino, a tradição cristã considerou os magos oriundos da Arábia, o país do incenso. Já em Isaías, temos referências aos presentes levados por eles. Flávio Josefo, um grande historiador judeu, relata histórias semelhantes de estrelas que surgiam quando nascia pessoa destinada a uma grande missão.


Mas, a história da estrela surgiu no livro de Números (24,19), 1.200 anos antes do nascimento de Jesus: “Uma estrela desponta da estirpe de Jacó, um reino, surgido de Israel, se levanta... Um rebento de Jacó dominará sobre seus inimigos”. Enfim, o relato de Mateus deve ser compreendido à luz da intenção teológica do evangelista, o qual não pretendeu escrever um relato histórico, mas mostrar o significado salvífico do nascimento de Jesus: ele veio para todos os homens, como a luz. Ao ser acesa, ilumina a todos, indistintamente.



Reflexões do Papa Francisco na homilia de 06 de Janeiro de 2024


O Papa Francisco presidiu, na manhã deste sábado (06/01), na Basílica São Pedro, a celebração Eucarística por ocasião da Solenidade da Epifania do Senhor. Durante a sua homilia, destacou as figuras dos Magos que põem-se a caminho à procura do Rei que nasceu. “São imagem dos povos que caminham em busca de Deus, dos estrangeiros que agora são conduzidos ao monte do Senhor, dos distantes que agora podem ouvir o anúncio da salvação [...]”, recordou o Papa, que em seguida convidou os fiéis a refletirem sobre três aspetos: “têm os olhos apontados para o céu, os pés caminhando na terra, o coração prostrado em adoração”.


Em primeiro lugar, disse o Santo Padre, “os Magos têm os olhos apontados para o céu. Não vivem a olhar para a ponta dos pés, fechados sobre si mesmos, prisioneiros de um horizonte terreno, mas levantam a cabeça, à espera de uma luz que ilumine o sentido da sua vida, uma salvação que vem do alto”. Esta é a chave que abre o verdadeiro significado da nossa existência, enfatizou Francisco: “se vivermos fechados no estreito perímetro das coisas terrenas, se caminharmos de cabeça baixa reféns dos nossos fracassos e saudosismos, se tivermos fome de bens e consolações mundanas em vez de buscarmos luz e amor, a nossa vida apaga-se”.


Além disso, continuou o Pontífice ao falar do segundo aspecto,  “os Magos têm os pés caminhando na terra. O astro que brilha no céu envia-os a percorrer as estradas da terra; ao levantar a cabeça para o alto, são impelidos a descer para baixo; ao procurar a Deus, são enviados para O encontrar no homem, em um Menino que está em uma manjedoura, porque Deus, que é o infinitamente grande, revelou-Se no pequenino, neste infinitamente pequenino”.


O Papa recordou que “o dom da fé não nos é concedido para permanecermos a fixar o céu, mas para caminharmos pelas estradas do mundo como testemunhas do Evangelho; a luz que ilumina a nossa vida, o Senhor Jesus, não nos é dada apenas para sermos consolados nas nossas noites, mas para abrir frestas de luz nas densas trevas que envolvem muitas situações sociais; o Deus que nos vem visitar, não O encontramos permanecendo firmes numa bela teoria religiosa, mas somente pondo-nos a caminho, procurando os sinais da sua presença nas realidades cotidianas e, sobretudo, encontrando e tocando a carne dos irmãos”.

Os Magos procuram Deus, e encontram um Menino de carne e osso, enfatizou o Papa, "como é importante encontrar Deus em carne e osso, nos rostos que dia a dia se cruzam conosco, especialmente os dos mais pobres. Com efeito, os Magos ensinam-nos que o encontro com Deus nos abre a uma esperança maior, que nos faz mudar estilos de vida e transformar o mundo".


Por fim, o Santo Padre explorou o terceiro aspecto, “os Magos têm o coração prostrado em adoração". Fixam a estrela no céu, mas não se refugiam em uma devoção desligada da terra; põem-se em viagem, mas não vagam como turistas sem meta. Diante deste mistério, sublinhou o Papa, “somos chamados a inclinar o coração e dobrar os joelhos para adorar: adorar a Deus que vem na pequenez, que habita no ambiente normal das nossas casas [...], envolto em panos de recém-nascido, era adorado pelos Magos e temido pelos malvados”.


Francisco finalizou a sua reflexão com um convite: “como os Magos, levantemos os olhos para o céu, ponhamo-nos a caminho à procura do Senhor, inclinemos o coração em adoração. E peçamos a graça de nunca perder a coragem: a coragem de ser indagadores de Deus, homens de esperança, intrépidos sonhadores que perscrutam o céu e caminham pelas estradas do mundo para levar a todos a luz de Cristo, que ilumina todo o homem”.



Texto: Jéssica Reis

Pascom - Paróquia do Bom Pastor


Referências para elaboração dessa publicação:

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